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Preconceito etário virou alvo de debate nas redes após a repercussão de um vídeo em que estudantes de uma universidade de Bauru debocham de uma colega de 40 anos.
Matéria de Rebeca Vieira
O etarismo constitui uma discriminação contra indivíduos ou grupos etários com base em estereótipos associados a pessoas idosas. Ele pode ocorrer de diferentes formas, em diversos momentos e ambientes. A prática causa danos, desvantagens e prejudica a saúde e o bem-estar, constituindo um grande obstáculo à formulação de políticas e ações eficazes para o envelhecimento saudável.
Uma análise que incluiu 422 estudos de 45 países, realizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), constatou que o preconceito associado à idade teve impacto sobre a saúde do público idoso em todos os países avaliados. São diversos os efeitos do etarismo, principalmente no aspecto emocional ou psicológico, podendo levar a pessoa idosa a ficar deprimida, afastando-se do convívio social e tornando-se invisível.
Símbolo OMS (Foto: Denis Balibouse/Reuters)
“Há sérios impactos sobre todos os aspectos da saúde. O etarismo encurta vidas, piora a saúde física e os comportamentos alimentares, impede a recuperação de incapacidades, leva à deterioração da saúde mental, exacerba o isolamento social, a solidão e piora a qualidade de vida”, explica a geriatra e presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), Dra. Ivete Berkenbrock.
O etarismo tem, ainda, impacto econômico sobre os indivíduos e a sociedade, contribuindo para a insegurança financeira e a pobreza. A maior probabilidade é que as consequências impactem os grupos mais desfavorecidos. Além disso, as pessoas idosas com menor escolaridade têm maior probabilidade de vivenciarem os prejuízos que o preconceito tem sobre a saúde.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2021, existiam no Brasil 32 milhões e 900 mil pessoas com mais de 60 anos de idade. Em 2060, a expectativa é que o número chegue a mais de 58 milhões, total superior a 25% da população brasileira. Para Ivete, os dados apontam a necessidade de debater a velhice, os cuidados relacionados à saúde e também os diferentes tipos de preconceitos sofridos por esta parcela da população.
“Uma reflexão importante é que a população idosa é heterogênea e, quando se fala em idoso, é importante saber de quem estamos falando. Algumas crenças versam sobre premissas equivocadas: idosos não podem estudar ou trabalhar; pessoas mais velhas possuem saúde debilitada; idosos são um ônus econômico para a sociedade. A retirada da autonomia para que tomem decisões e a infantilização são alguns exemplos deste preconceito”, reforça.
De acordo com a especialista, mais do que discutir o assunto e colocá-lo em pauta em todas as oportunidades, uma das formas cotidianas de se combater o preconceito por idade e quebrar qualquer paradigma é o estímulo à convivência intergeracional: “Essa prática pode ajudar a reduzir o sentimento de solidão das pessoas idosas e contribuir sobremaneira com a educação e habilidades como pensamento crítico, a resolução de problemas e a conexão social”.
Outra forma de lutar contra o etarismo é por meio da uma comunicação mais inclusiva e menos discriminatória. Neste caso, é preciso avaliar a forma como cada um conversa com as pessoas idosas e verificar se suas falas podem de alguma maneira impactá-las negativamente.
A discussão em torno da problemática envolvendo etarismo se deu devido à recente polêmica da internet. Três estudantes do curso de Biomedicina, na instituição privada Unisagrado, gravaram a si mesmas debochando e fazendo piadas a respeito da nova integrante do curso, uma mulher na faixa dos 40 anos de idade, e publicaram em suas redes sociais.
Comentários indevidos como “não sabe o que é Google”; “mano, ela tem 40 anos já, era para estar aposentada” e “como ‘desmatricula’ um colega de sala?” são apenas algumas das falas preconceituosas do vídeo.
🔴 “ERA PRA ESTAR APOSENTADA”
Universitárias debocham aluna universitária de 40 anos: pic.twitter.com/IR6KhEUY0f
— Kallil Oliveira (@kalliloliveira_) March 11, 2023
A Unisagrado divulgou uma nota de repúdio nas suas redes, mas sem fazer alusão direta ao caso. Afirmou não compactuar com “qualquer tipo de discriminação” e que “aprendemos a vida toda”.
“As oportunidades não são iguais para todo mundo em todos os momentos da vida. Sabemos, por exemplo, que os pais muitas vezes abrem mão da sua formação para oferecer as melhores oportunidades para seus filhos e, somente depois, optam por se profissionalizarem”, diz a postagem.
Patrícia Linhares, universitária recém admitida em Biomedicina e foco dos comentários maldosos, completou 45 anos na terça-feira (14). Disse que chorou bastante quando tomou conhecimento da existência do vídeo.
Patrícia Linares foi vítima de etarismo por três colegas de sala em uma universidade particular de Bauru (SP). (Foto: Reprodução)
“Nós tínhamos um trabalho de anatomia superdifícil para apresentar. Durante o intervalo da aula, fui para o banheiro. Tinha várias pessoas olhando para mim. Pensei: ‘Meu Deus. O que será que está acontecendo?’ Me abalou profundamente. A tristeza que me abateu foi muito grande. Eu chorei muito. Quando cheguei em casa, contei para o meu esposo o que tinha acontecido, mandei para as minhas irmãs e aí tudo começou a acontecer”, conta.
Em entrevista, Patrícia fala sobre como a graduação sempre foi um sonho de adolescência, e que não vai desistir – especialmente agora que conseguiu realizá-lo.
O vídeo tomou altas proporções, chegando a figuras políticas como os ministros de Direitos Humanos e da Cidadania, Silvio Almeida; e da Educação, Camilo Santana, que se solidarizaram com Patrícia, repudiando o ocorrido.
“O etarismo, assim como o sexismo, a LGBTfobia e o racismo, são ameaças à nossa democracia, pois alimentam os discursos de ódio, especialmente nas redes sociais, gerando diversos tipos de violência”, declarou Camilo Santana.
Reforçou, ainda, que “é lamentável que tenhamos que nos manifestar para defender um direito fundamental básico, que é o direito à Educação, cláusula pétrea da Constituição brasileira”. O titular da Educação frisou que o conhecimento acolhe e liberta.
Confira a publicação dos ministros na íntegra abaixo:
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